sexta-feira, 2 de março de 2012

Acho que seu nome seria coisa rara.







Amor a primeira vista? 
Alma gêmea? 
Encontro marcado?

Não acredito em nada desse tipo.

Mas acredito no reconhecimento silencioso e intuitivo de almas afins, de amores especiais.

Comunicação outra, re-conhecimento de intensidades e semelhanças.

O corpo reage, você sente. 


A lógica não alcança e a palavra não traduz.
  
Você não compreende, mas você sabe.

 Você sabe que está diante da pessoa certa quando você encontra paz no abraço do outro,
  
Quando o outro te abraça e os sons a sua volta diminuem, quando você é invadida por uma rara sensação de calor, paz e silêncio, então você sabe, você tem um amor.

Ela é tão eu e eu tão ela que quando ela vai embora sinto falta de mim!


Eu não acredito em amor, mas acredito em nós dois e na forma como você faz alegre meus dias. Nunca quis pensar no que seria, ou em um amanhã, e dessa impossibilidade vi nascer isso que não tem nome, mas é bacana, livre, gostoso e é nosso.

Eu, que te conheço de uma forma que não entendo, te sinto pelo avesso. Eu sei quem você é. Tudo em ti me interessa, tuas falhas, tua solidão, teus enganos e tua ira. E esse menino que mora em ti, que adora me roubar sorrisos e de quem eu gosto muito. Esse menino que guarda uma tristeza escondida, que quase ninguém vê, que tem uma mão que fere e a outra que acarinha. Eu gosto de abraçá-lo.

Eu que sempre pude ser inteira ao teu lado, gosto de fazer do teu desejo o meu prazer; do meu corpo o teu gozo; do que falo, teu falo e teu beijo.
Eu que gosto tanto da tua orelha, e da forma como de leve você muda o tom da voz para mentir, gosto mais ainda de como juntos ou separados torcemos um pelo outro, e gosto muito, mas muito das tuas pernas, você sabe e de uma coisa que só gosto em você, em mais ninguém.
E o melhor é que nos interessamos e nos desinteressamos um pelo outro, quase sempre ao mesmo tempo, o que facilita e alivia.

Eu, que sei tudo isso, nunca me permiti nada além de uma certa nostalgia por ter chegado tarde demais na tua vida, por que acho mesmo que teríamos sido um casal e tanto, dois iguais,olho no olho, muitas loucuras, amor no carro, viagens para Paris e New Orleans, e você leria nu para mim e eu te dedicaria meus livros. Mas nada disso chega a doer de verdade, por que a vida é hoje e sabes bem que não lamento e quase nunca penso nisso. Por que de alguma forma estamos um para o outro, no agora, do nosso jeito.

Eu que adoro tua urgência quando sentes meu cheiro, não sei dar nome ao que temos. Como se chamam as relações que são leves, intensas, francas e duras, mas nem por isso menos doces? 

Que nome dar a um afeto que vive por dia, que não espera ou cobra, que é espelho e estrada, que não teme partida e celebra a chegada?

Acho que seu nome seria coisa rara.

Eu que te minto muito pouco, mas não altero o tom da voz quando faço isso, também gosto de você.


Andréa Beheregaray