terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nada é tão bom quanto entender. Sigo na tentaviva...

Angelo Milesi




Nada é tão bom quanto entender.
Eu te dava vários e vários presentes.
Você lembra? Muitas vezes, usados por mim ou novos, eram "coisas" que você via em mim e gostava e queria e só sossegava quando eu te presenteava...
Daí, demorava apenas uma semana p eu ver essa mesma "coisa" em alguém da nossa família ou em amigos queridos...
Eu me recordo que isso me angustiava um pouco, ficava encafifada e me perguntava...
-Caramba, ela quis tanto, eu dei e ela doou p outra pessoa. E ria, porque era só isso que eu poderia fazer. Você era um mistério p mim...
Depois eu deixava p lá, era o seu jeito e um dia eu entenderia. Deixei de pensar da forma mesquinha onde o fato de eu ceder p vc e vc doar p outra pessoa logo em seguida seria um tipo de atestado onde era de certa forma admitido e averbado que o seu amor era menor p mim e potencialmente maior ao receptor.
Até porque né mãe, com você, nada era pessoal. Nada mesmo.
Hoje, vindo trabalhar, como sempre chorei quando a menina que tava ao meu lado atendeu o telefone e falou: Oi mãe...( clichê a minha emoção) e me vi analisando a roupa que eu tava vestindo e lembrei do nosso último passeio num sábado inteiro...Você lembra mãe?
Eu lembro de tudo.
Lembro inclusive do momento em que vc achou linda a sobreposição do suéter preto com a blusa branca ao fundo e quis "imitar" e depois que eu te arrumei, nós caímos na cama de tanto rir...Porque, como você disse, tem coisas que só "brilhavam"   em mim...
 E assim do nada eu entendi mãe, eu entendi tudo de uma vez, tudo assim num jorro só...

Você não me desmerecia ao ceder o que eu te dava com amor, você simplesmente só amava enquanto eu usava e enquanto o objeto ( seja ele qual for)  brilhava em mim...

Eu entendi mãe.

Um beijo muito carinhoso com muita saudade mamãe.
Você é o maior amor da minha vida.