sábado, 17 de dezembro de 2011

Tudo tem a sua razão de ser, o seu momento e que depois, bem depois ou não tão bem depois, você entende tudo.




Hoje eu acordei bem tarde e fui lavar meus tênis, enquanto tava lá  esfregando eu percebi o quanto eles estavam sujos e me lembrei daquele dia quando eu tinha 16 anos e uma amiga foi lá p casa, a Zuza, nós fomos tomar banho na piscina e depois, fomos para o quarto ouvir música...
Daí chegou a hora dela ir embora, e nós não encontrávamos o seu tênis, eu tinha certeza absoluta que tinha ficado na entrada da porta da cozinha, junto com os meus.
Procuramos a casa inteira e você de repente sai do quarto e fala com aquele seu sotaque de voz terna e tranquila: Fatinha, tá na área, secando...
Os olhares que trocamos eu e Zuza foi estarrecedor, como assim mãe? Nossos tênis tavam lindo sujinhos, cheios de depoimentos de amigos da escola, tantas recordações apagadas, demos de cara com dois pares de tênis limpinho, branquinho secando ao sol...
Eu tive vontade de morrer, como assim lavar tênis de visita? lavar tênis de uma visita temporária...?
E eu ri, enquanto eu lavava hoje os meus tênis eu ri muito e me surpreendi com o riso. Poxa, o calendário deu uma volta completa desde o último dia e hoje, eu deveria estar chorando, muito triste, porque essa semana vc fez aniversário e há um ano atrás você se foi...
Eu li em algum lugar sobre o tempo da dor , dizia q é um ano certinho que você começa a entender e aceitar. É, é sim.
Depois, a vizinha veio aqui em casa e eu comprei todos os cremes da Natura que você gostava e tudo isso, foi tão natural.
Das muitas coisas que eu aprendi com você, incluem: lavar e manter os tênis bem limpinho, usar cremes, maquiagem, perfumes, lavar os cabelos todos os dias, nunca jogar comida fora, nunca me acomodar, colocar bastante ( negoço que esqueci o nome) no feijão p eu não passar mau, evitar farinha branca, fazer minhas próprias unhas, não colocar amaciantes em roupas brancas, nem água sanitária, costurar algumas roupas, fazer o frango que eu mais amo no mundo todo,tomar café com leite... 
Isso tudo tem sido novo pra mim, passei a minha vida enquanto você ainda estava aqui sendo uma menina quase muleque. De jeans, tênis, zero maquiagem, cabelos não muito lavados...
E, hoje em sua homenagem, e tão naturalmente eu comi feijão, lavei tênis, arrumei a casa, fiz as unhas e lavei os cabelos.


E hoje, a dor não veio pra me derrubar, só sinto nesse momento, uma enorme sensação de paz e serenidade e certeza de que tudo tem a sua razão de ser, o seu momento e que depois, bem depois ou não tão bem depois, você entende tudo.


Tudo.


Eu e essa mania de entender tudo só bem depois, né mãe?